Uma âncora de cada vez

Falo constantemente de produtividade, tomada de decisão, criatividade,… parece que tenho a coisa resolvida.

A verdade é que tive (ou estive lá perto), mas já não tenho.

Neste momento, estou a ter dificuldades.

Não tenho tempo.

O que é mau, pois sinto-me desorientado e confuso, mas também é bom porque me deu um insight importante:

A importância de “âncoras”.

Cheguei à conclusão que não é a falta de conhecimento ou ferramentas que é a fonte desta minha “indisponibilidade temporal”, é a falta de referências.

Mudei de cidade, de pessoas, de tipo de trabalho… e subestimei o impacto que isso teria.

Não se trata apenas a questão da resiliência emocional de lidar com o desconhecido, existem mil pequenas decisões do dia a dia que têm de ser tomadas outra vez:

  • Onde é que vou por a roupa a secar?
  • Qual é o supermercado mais perto? Posso ir a pé? Descobrindo isso, de quanto em quando tempo tenho de lá ir?
  • Como é que organizo as coisas no frigorífico?
  • Qual é o ginásio mais perto? A que horas posso ir?


Já para não falar das mudanças bruscas de estilo de vida:

  • Antes podia fazer pausas conforme a minha gestão, agora tenho um horário que é feito “para mim” e não “por mim”.
  • Tempo que tinha para consumir coisas que aprecio, tem de ser utilizado a consumir material de preparação para aulas/workshops, e pode não estar alinhado com os meus interesses pessoais (o que não ajuda com a newsletter).
  • Energia criativa dedicada a escrever e à criação de conteúdos, agora é passada a fazer resumos, ou a entender a estrutura de uma cadeira qualquer.


Tudo isto longe da família, amigos e lugares conhecidos, que serviam de pontos de referência.

Ou seja, é a morte por mil cortes.

Mesmo que sejam decisões aparentemente insignificantes, a minha força de vontade esgota-se muito mais rapidamente do que antes devido à quantidade enorme de decisões adicionais que tenho de fazer – o que me leva a piores decisões.

Depois a quantidade dessas decisões obriga-me a atrasar a implementação de uma rotina – o que leva a que este sentimento de desorientação se arraste no tempo.

Sei que é um cliché, mas esta minha experiência confirma a lição:

“Ao provocar uma mudança nas nossas vidas, é importante que seja apenas uma parte de cada vez. Caso contrário, corremos o risco de nos perder na confusão.”

Não podemos deixar as âncoras todas de uma vez, caso contrário corremos o risco de passar algum tempo à deriva.

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Criei relações comerciais em três continentes, montei uma equipa de Marketing e geri-a por mais de cinco anos, e finalizei agora um MBA a tempo inteiro enquanto consultava para empresas.

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